Se você já pesquisou sobre copywriting no Brasil, provavelmente encontrou dois extremos.
De um lado, promessas irreais de que “copy vende qualquer coisa e fica rico rápido” – quem nunca viu um post no Instagram te ensinando como fazer 5 dígitos em 1 semana usando copy?
Do outro, descrições genéricas que reduzem o copy a alguém que “escreve textos persuasivos”.
Nenhum dos dois ajuda de verdade.
Copywriting não é uma profissão única: é um conjunto de habilidades que pode se desdobrar em várias carreiras — com níveis diferentes de profundidade, estabilidade, renda e tipo de rotina.
E é isso que costuma confundir quem está começando.
Então vamos organizar esse cenário com calma.
Antes de tudo: copywriting é habilidade, não cargo fixo
Um ponto que grandes nomes do mercado sempre reforçaram é que copywriting não se resume ao formato do texto.
David Ogilvy já dizia que o papel do copy não é escrever bonito, mas gerar resultado mensurável.
Na prática, isso significa que:
- O copy pode trabalhar em marketing, produto, vendas, growth ou branding;
- O que muda é onde a persuasão é aplicada;
- E como o impacto é medido.
Por isso, falar em “carreiras de copy” faz muito mais sentido do que falar em um único caminho.
1. Copywriter de marketing digital (o mais comum no Brasil)
Esse é o caminho mais conhecido e também o mais acessível para começar.
Aqui entram profissionais que escrevem:
- páginas de venda
- anúncios
- e-mails
- funis
- campanhas digitais
O foco é claro: conversão.
Esse copy costuma trabalhar:
- como freelancer
- em agências
- em times de marketing internos
No Brasil, é um mercado ativo porque:
- empresas vendem online
- tráfego pago é amplamente usado
- métricas como CTR, CPA e ROI fazem parte do dia a dia
É um bom ponto de entrada, mas não precisa ser o destino final.
Inclusive, percebeu que um redator tem aptidões diferentes que um copywriter? Eu falo mais sobre isso aqui.
2. Copywriter de e-mail marketing e CRM
Alguns copywriters se especializam em um único canal — e o e-mail é um dos mais valorizados.
Esse profissional trabalha com:
- sequências de nutrição
- fluxos automatizados
- campanhas de retenção
- recuperação de carrinho
- reativação de leads
Aqui, o diferencial não é criatividade solta, mas a estratégia, timing e leitura de comportamento.
No Brasil, esse tipo de copy encontra espaço em:
- e-commerces
- empresas SaaS
- negócios de assinatura
- infoprodutos mais estruturados
É uma carreira menos visível, mas muito estratégica.%, já que você ganha escala.
3. Copywriter de produto (Product Copy / UX Writing)
Nem todo copy vende diretamente. Alguns trabalham para:
- reduzir fricção
- orientar decisões
- melhorar a experiência do usuário
Esse é o território do copywriter de produto, muitas vezes chamado de UX writer.
Ele escreve:
- textos de interface
- mensagens de erro
- onboarding
- microcopys
- fluxos de navegação
No Brasil, essa carreira cresce junto com:
- startups
- produtos digitais
- times de tecnologia
Aqui, a métrica não é venda imediata, mas:
- retenção
- ativação
- clareza
- redução de churn
É copywriting aplicado à experiência.
4. Copywriter estratégico (ou copy + estratégia)
Com o tempo, muitos copies deixam de apenas executar textos e passam a:
- definir argumentos
- estruturar posicionamento
- orientar campanhas
- organizar mensagens da marca
Esse profissional não escreve tudo sozinho. Ele pensa antes do texto existir.
No Brasil, costuma atuar como:
- estrategista de conteúdo
- planner
- consultor
- copy sênior
É um caminho natural para quem:
- entende negócios
- lê dados
- conecta copy com objetivos reais
Inclusive, eu sou uma copywriter estratégica. Muito prazer!
5. Copywriter especialista em conteúdo de autoridade
Alguns copies focam menos em conversão direta e mais em:
- construção de marca
- reputação
- autoridade
- longo prazo
Eles escrevem:
- artigos profundos
- newsletters
- conteúdos educativos estratégicos
Esse caminho mistura redação + copywriting.
É comum entre profissionais que:
- constroem marca pessoal
- atendem serviços de alto ticket
- trabalham com B2B
No Brasil, esse tipo de copy se destaca justamente por ser raro – e eu também ofereço estes serviços.
6. Copywriter empreendedor (produto próprio ou marca pessoal)
Há também quem use copywriting como base para:
- vender cursos
- vender mentorias
- criar produtos digitais
- escalar serviços
Aqui, o copy não trabalha apenas para clientes. Ele aplica copy no próprio negócio.
É o caminho mais complexo, porque exige:
- visão de produto
- marketing
- posicionamento
- consistência
Mas também é o que oferece mais autonomia no longo prazo.
O que todos esses caminhos têm em comum
Independentemente da carreira escolhida, todo copywriter profissional:
- entende comportamento humano
- escreve com objetivo claro
- acompanha métricas
- ajusta mensagens com base em resultado
O formato muda. O canal muda. A profundidade muda, mas o fundamento é o mesmo.
Como escolher seu caminho agora
Em vez de perguntar “qual carreira dá mais dinheiro”, vale refletir:
- Onde eu gosto de atuar: execução ou estratégia?
- Prefiro curto prazo ou construção contínua?
- Quero trabalhar para marcas ou construir algo meu?
- Gosto de números ou mais de narrativa?
Essas respostas dizem muito mais sobre sua carreira do que qualquer promessa pronta.
No fim, copywriting não limita — ele expande
Copywriting não te prende a um cargo.
Ele te dá uma habilidade central que pode ser aplicada em: marketing, produto, vendas, conteúdo, estratégia e negócios.
Entender isso cedo evita frustração e acelera decisões melhores.
Se quiser, posso continuar esse tema em outro artigo, aprofundando:
- quanto cada caminho costuma pagar no Brasil
- quais habilidades cada um exige
- como migrar de um para outro sem recomeçar do zero
Quer que eu siga por aí?
