Poucos temas geram tanta insegurança em copywriters quanto precificação.
Não importa se você está começando agora ou se já escreve bem, em algum momento, a pergunta aparece: “Quanto eu cobro por isso?”
O problema não é a falta de referência, mas sim, o excesso de informação desconectada da realidade.
Você vê valores muito baixos no mercado brasileiro e altíssimos em referências internacionais.
E escuta que “Copy bom sempre cobra caro”.
Nada disso, isoladamente, ajuda.
Para precificar bem, é preciso entender por que existem modelos diferentes — e quando cada um faz sentido.
Antes de falar de preço, um ponto essencial
Copywriting não é um serviço padronizado.
Dois textos podem parecer semelhantes, mas envolver níveis completamente diferentes de responsabilidade, impacto e tomada de decisão.
Por isso, não existe um único jeito certo de cobrar: existe o modelo mais coerente com o contexto em que você está.
Lembre-se: o preço nasce do problema que ele resolve.
Precificação por hora
Esse é um dos modelos mais comuns no início da carreira, tanto no Brasil quanto fora.
Aqui, o copy define um valor por hora e cobra pelo tempo dedicado ao projeto. É simples de explicar e fácil de negociar.
Funciona melhor em trabalhos pontuais, como ajustes, revisões ou consultorias rápidas, quando o escopo é aberto e o cliente ainda está organizando ideias.
O limite desse modelo aparece com o tempo.
Quando você fica mais eficiente, trabalha mais rápido — e passa a ganhar menos pelo mesmo resultado. Além disso, o valor não reflete o impacto, apenas o tempo investido.
Por isso, muitos Copies usam esse formato como transição, não como destino.
Precificação por projeto
Esse é, hoje, o modelo mais comum entre copywriters no Brasil.
Aqui, o cliente compra uma entrega clara: uma página, uma sequência de e-mails, um funil, uma campanha. O preço é fechado e o escopo definido.
Esse modelo funciona bem porque traz previsibilidade para os dois lados: o cliente sabe quanto vai pagar e o Copy sabe o que precisa entregar.
O cuidado está em não cobrar apenas pelo texto final.
Um bom projeto envolve diagnóstico, organização de ideias, decisões estratégicas e revisões.
Quando isso não entra no preço, o copy trabalha mais do que cobra — e sente que algo está errado, mesmo sem saber explicar exatamente o quê.
Precificação mensal ou recorrente
Nesse modelo, o copy acompanha o negócio ao longo do tempo.
Em vez de uma entrega isolada, existe um acordo contínuo, geralmente mensal, com produção recorrente e ajustes constantes. É comum em empresas de serviço, e-commerces e negócios digitais.
Aqui, o valor não paga apenas textos, mas contexto, disponibilidade e evolução da comunicação.
Esse formato traz estabilidade para o copy e consistência para o cliente. Mas exige limites claros.
Sem escopo bem definido, o mensal vira “tudo incluso” — e isso costuma desgastar rapidamente a relação.
Precificação por valor ou impacto
Esse modelo aparece com mais força em referências internacionais, especialmente no mercado norte-americano.
Aqui, o preço não está ligado à quantidade de textos, mas ao impacto potencial daquele trabalho no negócio. O copy considera o risco, a responsabilidade e o retorno possível.
No Brasil, esse formato existe, mas ainda é menos comum. Ele costuma aparecer em lançamentos, produtos já validados e projetos estratégicos de alto impacto.
Esse tipo de precificação não é um ponto de partida.
Participação em resultados
Em alguns casos, o copy recebe parte do pagamento atrelada à performance do projeto.
Isso pode acontecer por comissão, porcentagem de vendas ou bônus por meta atingida.
Apesar de parecer atraente, esse modelo exige cuidado. Ele só funciona quando o copy tem controle real sobre a comunicação, acesso aos dados e segurança de que o produto já funciona.
Caso contrário, o risco fica concentrado em quem menos controla o processo.
O erro mais comum ao definir preços
Copiar o valor de outro profissional sem entender o contexto.
Dois Copies podem cobrar preços muito diferentes por motivos legítimos. Um resolve problemas complexos e assume decisões estratégicas. Outro executa demandas mais pontuais.
Preço, sozinho, não define valor, mas desalinhamento entre preço, entrega e expectativa quase sempre gera frustração.
Um guia simples para escolher o modelo certo
Antes de pensar em números, vale responder algumas perguntas:
- Estou vendendo execução ou tomada de decisão?
- Quanto esse trabalho impacta o negócio do cliente?
- Qual risco eu assumo neste projeto?
- Quanto contexto ele exige de mim?
Essas respostas costumam apontar o modelo mais adequado — e ajudam a sustentar o preço com mais segurança.
No fim, precificar bem é um processo
Copywriters não evoluem apenas aumentando valores, mas quando resolvem problemas mais complexos. É isso que permite sair da cobrança por hora para projetos fechados e, depois, para modelos recorrentes.
E, para não ficar preso apenas à própria percepção, vale observar como o mercado se comporta — especialmente em ambientes onde profissionais compartilham propostas, faixas de preço e modelos de contratação.
Sites de freelancers como Upwork, Fiverr Pro e PeoplePerHour mostram como copywriters internacionais estruturam preços por projeto, hora e escopo. Não servem para copiar valores, mas ajudam a entender como o serviço é apresentado e justificado.
Plataformas como Reedsy e ClearVoice reúnem copywriters mais experientes e costumam refletir preços alinhados à especialização, não volume de texto.
No Brasil, marketplaces como 99Freelas, Workana e Trampos.co revelam a realidade do mercado nacional — inclusive os erros mais comuns de precificação. Observar esses ambientes ajuda a entender o que evitar, não apenas o que seguir.
Além disso, muitos Copywriters divulgam publicamente seus serviços e valores em sites próprios ou páginas de proposta. Analisar essas páginas ajuda a perceber como o preço é ancorado em escopo, responsabilidade e impacto, e não apenas em palavras entregues.
Usar essas referências do jeito certo não é sobre se comparar. É sobre ganhar repertório.
Quanto mais você entende os modelos praticados, mais fácil fica escolher o seu — com consciência, coerência e menos insegurança.
