Como precificar o trabalho de copywriting (sem se perder)
4–6 minutos

Poucos temas geram tanta insegurança em copywriters quanto precificação.

Não importa se você está começando agora ou se já escreve bem, em algum momento, a pergunta aparece: “Quanto eu cobro por isso?”

O problema não é a falta de referência, mas sim, o excesso de informação desconectada da realidade.

Você vê valores muito baixos no mercado brasileiro e altíssimos em referências internacionais.

E escuta que “Copy bom sempre cobra caro”.

Nada disso, isoladamente, ajuda.

Para precificar bem, é preciso entender por que existem modelos diferentes — e quando cada um faz sentido.

Antes de falar de preço, um ponto essencial

Copywriting não é um serviço padronizado.

Dois textos podem parecer semelhantes, mas envolver níveis completamente diferentes de responsabilidade, impacto e tomada de decisão.

Por isso, não existe um único jeito certo de cobrar: existe o modelo mais coerente com o contexto em que você está.

Lembre-se: o preço nasce do problema que ele resolve.


Precificação por hora

Esse é um dos modelos mais comuns no início da carreira, tanto no Brasil quanto fora.

Aqui, o copy define um valor por hora e cobra pelo tempo dedicado ao projeto. É simples de explicar e fácil de negociar.

Funciona melhor em trabalhos pontuais, como ajustes, revisões ou consultorias rápidas, quando o escopo é aberto e o cliente ainda está organizando ideias.

O limite desse modelo aparece com o tempo.

Quando você fica mais eficiente, trabalha mais rápido — e passa a ganhar menos pelo mesmo resultado. Além disso, o valor não reflete o impacto, apenas o tempo investido.

Por isso, muitos Copies usam esse formato como transição, não como destino.


Precificação por projeto

Esse é, hoje, o modelo mais comum entre copywriters no Brasil.

Aqui, o cliente compra uma entrega clara: uma página, uma sequência de e-mails, um funil, uma campanha. O preço é fechado e o escopo definido.

Esse modelo funciona bem porque traz previsibilidade para os dois lados: o cliente sabe quanto vai pagar e o Copy sabe o que precisa entregar.

O cuidado está em não cobrar apenas pelo texto final.

Um bom projeto envolve diagnóstico, organização de ideias, decisões estratégicas e revisões.

Quando isso não entra no preço, o copy trabalha mais do que cobra — e sente que algo está errado, mesmo sem saber explicar exatamente o quê.


Precificação mensal ou recorrente

Nesse modelo, o copy acompanha o negócio ao longo do tempo.

Em vez de uma entrega isolada, existe um acordo contínuo, geralmente mensal, com produção recorrente e ajustes constantes. É comum em empresas de serviço, e-commerces e negócios digitais.

Aqui, o valor não paga apenas textos, mas contexto, disponibilidade e evolução da comunicação.

Esse formato traz estabilidade para o copy e consistência para o cliente. Mas exige limites claros.

Sem escopo bem definido, o mensal vira “tudo incluso” — e isso costuma desgastar rapidamente a relação.


Precificação por valor ou impacto

Esse modelo aparece com mais força em referências internacionais, especialmente no mercado norte-americano.

Aqui, o preço não está ligado à quantidade de textos, mas ao impacto potencial daquele trabalho no negócio. O copy considera o risco, a responsabilidade e o retorno possível.

No Brasil, esse formato existe, mas ainda é menos comum. Ele costuma aparecer em lançamentos, produtos já validados e projetos estratégicos de alto impacto.

Esse tipo de precificação não é um ponto de partida.
  


Participação em resultados

Em alguns casos, o copy recebe parte do pagamento atrelada à performance do projeto.

Isso pode acontecer por comissão, porcentagem de vendas ou bônus por meta atingida.

Apesar de parecer atraente, esse modelo exige cuidado. Ele só funciona quando o copy tem controle real sobre a comunicação, acesso aos dados e segurança de que o produto já funciona.

Caso contrário, o risco fica concentrado em quem menos controla o processo.


O erro mais comum ao definir preços

Copiar o valor de outro profissional sem entender o contexto.

Dois Copies podem cobrar preços muito diferentes por motivos legítimos. Um resolve problemas complexos e assume decisões estratégicas. Outro executa demandas mais pontuais.

Preço, sozinho, não define valor, mas desalinhamento entre preço, entrega e expectativa quase sempre gera frustração.


Um guia simples para escolher o modelo certo

Antes de pensar em números, vale responder algumas perguntas:

  • Estou vendendo execução ou tomada de decisão?
  • Quanto esse trabalho impacta o negócio do cliente?
  • Qual risco eu assumo neste projeto?
  • Quanto contexto ele exige de mim?

Essas respostas costumam apontar o modelo mais adequado — e ajudam a sustentar o preço com mais segurança.


No fim, precificar bem é um processo

Copywriters não evoluem apenas aumentando valores, mas quando resolvem problemas mais complexos. É isso que permite sair da cobrança por hora para projetos fechados e, depois, para modelos recorrentes.

E, para não ficar preso apenas à própria percepção, vale observar como o mercado se comporta — especialmente em ambientes onde profissionais compartilham propostas, faixas de preço e modelos de contratação.

Sites de freelancers como Upwork, Fiverr Pro e PeoplePerHour mostram como copywriters internacionais estruturam preços por projeto, hora e escopo. Não servem para copiar valores, mas ajudam a entender como o serviço é apresentado e justificado.

Plataformas como Reedsy e ClearVoice reúnem copywriters mais experientes e costumam refletir preços alinhados à especialização, não volume de texto.

No Brasil, marketplaces como 99Freelas, Workana e Trampos.co revelam a realidade do mercado nacional — inclusive os erros mais comuns de precificação. Observar esses ambientes ajuda a entender o que evitar, não apenas o que seguir.

Além disso, muitos Copywriters divulgam publicamente seus serviços e valores em sites próprios ou páginas de proposta. Analisar essas páginas ajuda a perceber como o preço é ancorado em escopo, responsabilidade e impacto, e não apenas em palavras entregues.

Usar essas referências do jeito certo não é sobre se comparar. É sobre ganhar repertório.

Quanto mais você entende os modelos praticados, mais fácil fica escolher o seu — com consciência, coerência e menos insegurança.


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